“Eu não sei se eu vou ter tempo para escrever mais, porque eu posso está muito ocupado tentando participar. Então, se isso acabar sendo a última vez, eu só quero que você saiba que eu estava em um lugar ruim antes de começar o colegial. E você me ajudou. Mesmo que não soubesse do que eu estava falando, ou conhece alguém que passou por isso. Você me fez não me sentir sozinho. Porque eu sei que há pessoas que pensam que essas coisas não acontecem. E há pessoas que esquecem de como é ter 16 anos quando completam 17. Eu sei que serão apenas histórias algum dia. E nossas imagens vão tornar-se fotografias antigas. E todos nós seremos mãe ou pai de alguém. Mas agora, esses momentos não são histórias. Isso está acontecendo. Eu estou aqui. E eu estou olhando para ela. E ela é tão bonita. Eu vejo isso. Um momento em que você sabe que não é uma história triste, você está vivo. E você se levanta e vê as luzes nos prédios, e tudo isso te deixa surpreso. E você está ouvindo essa música nessa estrada, com as pessoas que mais ama neste mundo. E neste momento, eu juro; nós somos infinitos.”
“O silêncio imperava na imensidão da alma e o corpo flutuava ereto e reto de olhos fechados. No gradil de ferro agarravam-se estranhas formas, seres de restos de sentimentos dos que vivem na esfera gelada. Ali um segundo era a eternidade, estado catatônico, o coração havia sido arrancado, a mente adormecia perante aquela completa escuridão. Braços abertos, cabeça deslocada, sistema nervoso paralisado, ausência completa de mim. E por apenas um segundo num esforço descomunal a ponta da corda bate sobre o meu corpo e em uma reação involuntária e acumulada a agarro de uma só vez. afetando aquele retilíneo objeto, salvação da minha morte. A passos de puxão fui sendo retirada pouco a pouco do incompreensível universo da solidão. A luz me incomodava. Havia tanto desespero pela possibilidade de ver o sol. E onde não havia nada o mar invadiu, brotou de meus poros inundando minha alma seca. Foi quando eu vi suas mãos estendidas na minha direção. Dava pra ver o vento forte pelo movimento de seus negros cabelos, dava pra sentir teu coração batendo pelos olhos. O som dos pássaros que em bando se atiravam no destino bem atras de você. Em mim o mundo explodia. E tudo se provocava e se bania e da mesma forma que inundava alimentava um medo horroroso, o risco de viver, a decepção, o abandono, a dor da paixão, o ato covarde inescrupuloso da traição. Sentimentos acumulados. E em um ato de redenção desisti. Saltei esganiçada novamente para o abismo da solidão. Vi teus olhos sumindo, a luz desaparecendo, meu corpo caia com o peso do mundo ate encontrar novamente o seu lugar, magnetizando a estrutura flutuante e óssea na escuridão da minha alma. Flutuei.”
“E você pra mim é tudo. Tudo de bom e ruim ao mesmo tempo, você é minha vontade de continuar e meu desejo de suicídio, você é quase sempre meu sorriso e às vezes meu soluço, você as vezes é meu paraíso, mas as vezes é meu precipício… ”
“Eu duvido! Duvido que você não chame meu nome quando você sente falta de alguém, duvido que não sinta falta do meu carinho sempre tão sincero, falta de me contar como foi seu dia, as histórias da sua vida que sempre foram pra mim melhor do que qualquer novela. Duvido que você não me procure nas biscates que você pega por aí, sempre tão vazias. Vazias igual a sua liberdade idiota que nunca te serviu pra porra nenhuma. Talvez esse seja o nosso problema, eu sou completa demais pra sua vidinha mais ou menos. Eu sinto, eu penso, eu falo, eu te conheço, isso te assusta né ? “Tô invadindo seu espaço? Desculpa.” Essa fui eu, durante todo esse tempo, me desculpando por que mesmo? Me diminui pra você ficar maior, pra você não me perceber entrando na sua vida. Se você pudesse sentir o quanto isso dói você quem iria se desculpar. Eu queria ligar pra você, e te falar sem pausas tudo que eu ensaio toda vez que você me magoa, mas nunca digo pra não te magoar, afinal você não me faz mal por mal, e talvez esse seja o pior mal que se possa fazer a alguém, tão natural. Bobagem, como se algum ensaio no mundo fosse me deixar firme depois do seu ‘alô’. Então é isso, tô te escrevendo! Sempre fui mais segura com as palavras. Tô te escrevendo pra talvez um dia te enviar, mas to escrevendo. E não é sobre você dessa vez, é sobre mim. Sobre o quanto eu sou boa, igual a mim tá difícil meu bem! Sobre como eu não preciso usar cinco centímetros de saia e um decote no umbigo pra ser mulher; Sobre como, ainda assim, só eu sei fazer de você um homem. Sobre muitas coisas, mas principalmente, sobre quantos homens eu poderia estar saindo nesse exato minuto. Não é com você, é comigo sabe? Por exemplo, EU te idealizo nesse momento como o melhor, não que você seja. Acho legal você brincar com a sorte, mas se eu fosse você não teria tanta certeza da minha posse assim! Talvez ninguém tenha te avisado ainda, então desculpa se eu vou te dar essa notícia sem te preparar antes, mas a porra do mundo não gira em torno do seu umbigo! Ficou chocado? Acontece. Só queria te dá um conselho, em nome da nossa amizade e meu carinho por você, tira uma mão da liberdade e segura um terço. Fica assim, agarrado nas duas coisas sabe? E reza, reza muito pra não aparecer ninguém que mexa comigo enquanto você fica brincando de não saber o que quer. Porque eu sou amor, e ainda que não seja o seu, essa é a minha essência! E você não deve acreditar muito nessa ideia, pelas tantas vezes que eu quase fui, mas um dia eu vou.. sempre foi assim!”
— Mas deixa eu te contar um segredo: se eu for, eu não volto.